Nelson Rodrigues: o anjo pornográfico

nelson rodriguesEm 21 de dezembro de 1970, falecia o mais importante dramaturgo brasileiro do século XX: Nelson Rodrigues. Reconhecido por suas peças provocativas e questionadoras, Nelson nasceu em 23 de agosto de 1912, em Recife, Pernambuco, em uma família de pequena burguesia. Quinto filho do casal Maria Esther Falcão e o jornalista Mário Rodrigues, Nelson Rodrigues muda-se para o Rio de Janeiro, em 1916 e vai morar em um bairro de classe baixa, na Zona Norte da capital fluminense.

Neste cenário, conheceu diversas pessoas que serviriam de inspiração para os seus personagens: vizinhas fofoqueiras, solteironas ressentidas, viúvas nostálgicas, parteiras etc. Algumas das lembranças mais fortes de Nelson Rodrigues como os partos e velórios feitos em casa também estão presentes em suas obras.

“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.”

A primeira grande experiência textual de Nelson aconteceria aos 8 anos, em um concurso de redação na escola pública Prudente de Morais. Na ocasião, a professora havia pedido que cada aluno escrevesse um texto de tema livre. O pequeno Nelson escreveu um conto sobre adultério em que o marido chegava a casa e encontrava a mulher nua na cama e um vulto de um homem pulando a janela. O marido pega uma faca e liquida a mulher. Depois se ajoelha e pede perdão. A redação, apesar do espanto que causou em todo o corpo docente, não tinha como não ser premiada, muito embora não pudesse ser lida na classe. A professora inventou um empate e leu a outra composição.

Com incentivo de seus irmãos mais velhos, Nelson torna-se um grande apreciador da leitura, porém mantém o interesse em assuntos relacionados à morte e sexo. Conforme chegou a adolescência, Nelson Rodrigues passou a ser um indivíduo melancólico e depressivo que, costumeiramente, suspirava sua tristeza pelos cantos.

obras nelson rodrigues

A carreira de escritor começou em 29 de dezembro de 1925, aos 13 anos, quando passa a ser repórter policial no jornal onde seu pai trabalhava. Sua grande capacidade de dramatizar fatos impressiona seus colegas de trabalho que o elegiam para descrever pactos de morte entre jovens namorados, tão constantes naquela época.

Tinha 17 anos quando o irmão Roberto foi assassinado. A experiência da tragédia se tornou elemento-chave de sua dramaturgia, baseada no conflito entre o desejo e a repressão. Teve diversas peças censuradas pelo teor com que escrevia. Seu “teatro desagradável” era norteado pelo deboche, pela ironia e pela crítica feroz da realidade.

O sucesso de Vestido de noiva

O caráter inovador de Vestido de noiva eleva a qualidade do texto teatral rompendo definitivamente com a linearidade narrativa da organização cronológica dos enredos. A peça á apresentada em três planos: o da realidade, o da alucinação e o da memória. A divisão do palco em três planos, cada um deles correspondendo a uma parte da história, representou uma inovação estrutural na peça e criatividade no uso da linguagem teatral.

Em 1943, a estreia de Vestido de noiva, no Teatro Municipal do Rio, ainda que sob intensa vaia, se tornou o marco do modernismo no teatro. Retratava as taras, a falsidade e a decadência, sempre em tintas expressionistas – estética que confirmou nos folhetins. Foi autor, ainda, de romances e contos. Suas crônicas estão entre as mais importantes do século XX.

Quem quiser conhecer a obra, pode assistir ao filme, dirigido por Joffre Rodrigues, filho de Nelson, que roteirizou e o produziu a versão cinematográfica (versão completa):

https://www.youtube.com/watch?v=O52bx0ZHIXw

Produção temática

Sua produção é dividida em três partes, de acordo com a temática abordada nas peças:

1 – Peças psicológicas – que tratam dos problemas mundanos que o homem passa como membro de uma sociedade hipócrita. Ex: Vestido de Noiva e A mulher sem pecado

2 – Peças míticas – abordam os instintos do homem e questionam a origem dos sentimentos e dos sentidos. Ex: Álbum de família, Anjo Negro e Doroteia

3 – Tragédias cariocas – são as peças criadas para tratar a futilidade e o egoísmo do mundo moderno e da sociedade do século XX. Ex: Os sete gatinhos, Perdoa-me por me traíres e A falecida.

Para saber mais, acesse o site oficial sobre o escritor, clique aqui.

Fonte: Portal da Editora Moderna.

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