Isaac Newton

isaac newtonEle unificou o céu e a terra com as leis da gravitação, mas quase deixou tudo guardado na gaveta.

Há quem diga que Isaac Newton (1642 – 1727) foi o homem mais inteligente que já caminhou sobre a face da Terra. É uma afirmação difícil de confirmar, mais uma coisa é certa: ao mostrar que as mesmas leis naturais que valiam no chão se aplicavam também a todo o Universo, ele provocou uma revolução conceitual sem precedentes na história da ciência.

É a tal história da maçã, que foi relatada pelo próprio Newton, embora ninguém saiba se acontecer de verdade. Diz a lenda que ele estava tirando um cochilo sobr uma macieira, em Lincolnshire, em 1665, quando foi despertado pela queda do fruto. O lampejo teria feito ele pensar pela primeira vez na questão da gravitação universal, especulando que a mesma força que levou a maçã ao solo é a responsável por prender a Lua firmemente em sua órbita ao redor da Terra.

Àquela altura, com 23 anos, Newton era estudante da Universidade de Cambridge, mas o campus estava fechado em razão do surto de peste bubônica  Quando ele tornou, se pôs a trabalhar com mais afinco na questão da gravitação – que, para ser resolvida, exigia ferramentas matemáticas que ainda não haviam sido inventadas.

Em 1666, Newton já tinha desenvolvido uma técnica, que ele chamou de “métodos dos fluxos e fluxos inversos” – processo hoje conhecido como cálculo -, para solucionar justamente essas equações complicadas. Na verdade, nada em que Newton resolvesse trabalhar parecia estar fora do alcance. O que era surpreendente para um aluno que, quando criança, nunca tinha ido bem na escola.

Paranoico ao extremo

Embora tenha se tornado um cientista brilhante, o inglês sempre foi meio esquisito. Ele costumava evitar a divulgação de seus próprios trabalhos com medo de sofrer críticas. E, quando aconteciam, ai de quem ousasse cruzar seu caminho. Newton era extremamente vingativo e campeão em fazer inimigos.

Aliás, se fosse preciso eleger seu arqui-inimigo, teria de ser Robert Hooke. Também cientista, ele promoveu grandes desenvolvimentos no campo da óptica, que mais tarde seria ainda mais explorado por Newton. Contudo, em 1684, o assunto do momento era a gravitação.

Em um encontro entre Hooke, Edmond Haley e Christopher Wren (três nobres colegas da Real Society), naquele ano, o primeiro afirmara que havia finalmente demonstrado que a gravidade era uma força emanante e explicava perfeitamente o movimento dos planetas ao redor do Sol. Porém não mostraria aos colegas a solução até que estivesse pronta apra publicação.

Halley, que era amigo de Newton, foi imediatamente ter com ele. Como quem não quer nada, apresentou o problema supostamente resolvido por Hooke: “Qual seria a forma da órbita de uma planeta que se move ao redor do Sol se ele fosse atraído para o Sol por uma força que varia com o inverso da quadrado da distância?”

Newton não titubeou. “Uma elipse”, respondeu, despretensiosamente. Embasbacado, Halley perguntou como ele sabia, ao que o amigo revelou que havia resolvido esse problema quatro anos antes, mas não sabia onde tinha guardado.Philosophiae Naturalis Principia Mathematica

Halley percebeu que estava diante de um achado revolucionário e implorou que Newton refizesse o trabalho para publicação. E foi o que o amigo fez. Nascia o livro mais importante da ciência Philosophiae Naturalis Principia Mathematica.

Você pode visualizar os originais no Google Docs, clique aqui pra ler.

Também era um dos mais chatos. Árido e quadradão. Mas seus três volumes sistematizaram a física e consolidaram os conhecimentos dispersos obtidos por Copérnico, Galileu e Kepler num único arcabouço teórico. É lá que estão as bases de toda a chamada “mecânica newtoniana”, ensinada até hoje nas escolas.

Quem inventou o cálculo?

Umas das grandes disputas científicas em que Newton esteve envolvido foi na criação das técnicas de cálculo integral e diferencial. Em 1666, ele já usava seus ‘fluxos e fluxos inversos’ para executar essas operações matemáticas. Contudo, mais de uma década depois, o alemão Gottfried Leibniz apresentaria sua própria versão da técnica, que acabou consagrada pelo uso mais adiante.

Furiosos, Newton acusou Leibniz de plágio. Disse que o alemão havia tido acesso as anotação dele anos antes. E não perder nenhuma ocasião para difamar o pobre matemático alemão que morreu na miséria e em desgraça, em 1716.

Hoje, a maior parte dos historiadores entende que não houve trapaça. Ambos teriam desenvolvido sua técnica de cálculo independentemente. Mas o episódio é um belo exemplo de como o físico britânico tratava seus rivais.

Fonte:Revista Super Interessante – Por dentro da mente de 29 Gênios. Coleções. Edição 304-A. Maio, 2012.

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