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A pedido do G1, pesquisadores listaram obras essenciais sobre o período.
Golpe que instalou ditadura militar de duas décadas completa 50 anos.

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Historiadores, cientistas políticos e pesquisadores de várias universidades listaram, a pedido doG1, livros que consideram importantes para se entender o golpe militar de 1964. O golpe, que completa 50 anos, depôs o então presidente João Goulart e marcou o inicio da ditadura militar que perdurou até 1985.

(ESPECIAL “50 ANOS DO GOLPE MILITAR”: a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, desencadeou uma série de fatos que culminaram em um golpe de estado em 31 de março de 1964. O sucessor, João Goulart, foi deposto pelos militares com apoio de setores da sociedade, que temiam que ele desse um golpe de esquerda, coisa que seus partidários negam até hoje. O ambiente político se radicalizou, porque Jango prometia fazer as chamadas reformas de base na “lei ou na marra”, com ajuda de sindicatos e de membros das Forças Armadas. Os militares prometiam entregar logo o poder aos civis, mas o país viveu uma ditadura que durou 21 anos, terminando em 1985. Saiba mais.)

Entre as obras mais mencionadas pelos especialistas estão os clássicos “1964: A Conquista do Estado”, do cientista político uruguaio René Dreifuss, “De Getúlio a Castelo”,  do historiador norte-americano Thomas Skidmore, e os quatro volumes sobre o período militar do jornalista Elio Gaspari (“A Ditadura Envergonhada”, “A Ditadura Escancarada”, “A Ditadura Derrotada”, “A Ditadura Encurralada”).

Confira abaixo as obras recomendadas:

"1964: A Conquista do Estado", de René Dreifuss (Foto: Reprodução)

1964: A CONQUISTA DO ESTADO – René Armand Dreifuss

“Mostra os momentos antecedentes ao golpe, quando foi gestado por grupos de direita. Sobretudo, mostra os grupos financiados por militares, por empresários, mostrando que houve a atuação de empresários, intelectuais, grupos de direita.” (Francisco Fonseca, doutor em história social e professor da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo)

“É o livro mais completo sobre o golpe de 64.” (Vera Chaia, doutora em ciência política e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)

“Combinando uma consistente orientação teórica com uma vasta e rica base informativa, revela o caráter empresarial-militar do golpe e da ditadura.” (Renato Lemos, doutor em história, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenador do Laboratório de Estudos sobre os Militares na Política da UFRJ)

"Brasil: de Getúlio a Castelo", de Thomas Skidmore (Foto: Reprodução)

BRASIL: DE GETÚLIO A CASTELO – Thomas Skidmore

“É um clássico e original porque foi o primeiro a tratar o golpe com o foco na ciência política, com as razões que levaram ao golpe.” (Ricardo Caldas, mestre em ciência política e professor da Universidade de Brasília – UnB)

“Se fundamenta muito bem em fontes. Tem a credibilidade das fontes. Sempre usei para dar aulas sobre política no Brasil.” (Aldo Fornazieri, doutor em ciência política e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo)

 

 

Obra em quatro volumes do jornalista Elio Gaspari sobre a ditadura (Foto: Reprodução)

A DITADURA ENVERGONHADA; A DITADURA ESCANCARADA; A DITADURA DERROTADA; A DITADURA ENCURRALADA
Elio Gaspari

“Principalmente o primeiro volume, traz uma análise muito interessante do golpe e da ditadura. Teve documentos e correspondências, inclusive do Golbery, um dos cabeças da conspiração.” (David Fleisher, doutor em ciência política e professor da Universidade de Brasília)

“Trata-se, efetivamente, do mais fiel relato sobre todo o período ditatorial, baseado em fontes nacionais e estrangeiras e de um autor que, como jornalista, acompanhou o dia-a-dia do regime.” (Charles Pessanha, doutor em ciência política e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro)

“Poderia indicar livros teóricos, mas acho particularmente que a série do Élio Gaspari para mim é o mais completo retrato. Baseado em fontes, entrevistas e interpretação de quem viveu as coisas por trás dos bastidores.” (Muniz Sodré, jornalista, doutor em letras e professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro)

"1964: um golpe que derrubou um presidente, pôs fim ao regime democrático e instituiu a ditadura no Brasil", de Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes (Foto: Reprodução)

1964: O GOLPE QUE DERRUBOU UM PRESIDENTE, PÔS FIM AO REGIME DEMOCRÁTICO E INSTITUIU A DITADURA NO BRASIL
Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes

“A análise se inicia com a chegada de Jango ao poder,  após a renúncia de Jânio Quadros, e continua com a resistência dos militares à sua posse, a solução parlamentarista, o plebiscito e a volta ao presidencialismo, as tentativas de estabilização econômica, as reformas de base, a radicalização e o golpe. O trabalho possui ainda uma virtude adicional. Não é um trabalho de acadêmicos de renome para a academia. O livro é bem escrito, dispõe de excelente material iconográfico e certamente dará a oportunidade de a todos que se interessam pela história do Brasil recente.”(Charles Pessanha, doutor em ciência política e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ)

"A Revolução Burguesa", de Florestan Fernandes (Foto: Reprodução)

A REVOLUÇÃO BURGUESA NO BRASIL –  Florestan Fernandes

“É quem melhor insere o golpe e o regime ditatorial no processo de modernização capitalista dependente que singulariza a história do Brasil.” (Renato Lemos, doutor em história, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenador do Laboratório de Estudos sobre os Militares na Política da UFRJ)

 

 

 

"Combate nas Trevas", de Jacob Gorender (Foto: Reprodução)

COMBATE NAS TREVAS – Jacob Gorender

Livro escrito por militante do PCB que diz que as organizações de esquerda foram derrotadas porque avaliaram mal a conjuntura política que antecedeu o golpe. Que o partido avaliou mal a conjuntura. Avançou na marra sobre o governo João Goulart quando não tinha força.” (Hugo Studart, jornalista, doutor em história e professor da Universidade Católica de Brasília)

 

 

 

"O Ato e o Fato", de Carlos Heitor Cony (Foto: Reprodução)

O ATO E O FATO  – Carlos Heitor Cony

“Acho importante porque é um documento relevante do próprio momento do golpe e traz um retrato jornalístico do que estava acontecendo. São crônicas publicadas que falam da passagem do golpe, da psicologia dos militares, o modo como organizaram a ditadura.” (Roberto Romano, doutor em filosofia e professor da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp)

 

 

 

"Estado e Oposição no Brasil", de Maria Helena Moreira Alves (Foto: Reprodução)

ESTADO E OPOSIÇÃO NO BRASIL (1964-1984)
Maria Helena Moreira Alves

“Explica a fundamental conexão entre o golpe e o regime ditatorial e a Doutrina de Segurança Nacional nos marcos do capitalismo dependente brasileiro.” (Renato Lemos, doutor em história, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenador do Laboratório de Estudos sobre os Militares na Política da UFRJ)

 

 

 

 

"A Revolução Faltou ao Encontro", de Daniel Aarão Reis (Foto: Reprodução)

A REVOLUÇÃO QUE FALTOU AO ENCONTRO – Daniel Aarão Reis

A tese é de que o projeto de luta revolucionária era anterior à ditadura e não é resultante da resistência. O golpe seria um contragolpe porque o projeto de luta armada é anterior a 64. Mostra que os comunistas enviaram pessoas para treinar na China antes do golpe. Para o autor, os militares é que teriam reagido à luta armada.” (Hugo Studart, jornalista, doutor em história e professor da Universidade Católica de Brasília)

 

 

 

"A Revolução Impossível", de Luis Mir (Foto: Foto: Reprodução)

A REVOLUÇÃO IMPOSSÍVEL – Luís Mir

“Mostra a revolução dentro do contexto do movimento comunista internacional, anterior a 64, e que o Brasil seria apenas um apêndice, não teria importância nesse contexto. E que o grande equívoco dos comunistas foi superestimar as forças do Partido Comunista.” (Hugo Studart, jornalista, doutor em história e professor da Universidade Católica de Brasília)

Fonte: G1.