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Quais as causas das chuvas no litoral nordestino? O que explica tanta chuva em um curto espaço de tempo? Essas dúvidas fazem parte do nosso cotidiano, sobretudo após esta sexta-feira (17/05/13) quando ao acordarmos fomos surpreendidos com a Região Metropolitana do Recife completamente alagada.

As ocorrências de chuvas no nordeste brasileiro são explicadas a partir de níveis de influências (escalas). A princípio, os sistemas atmosféricos de grande escala que atuam nesta região são:

– Zona de Convergência intertropical (ZCIT)

zcit

É o sistema mais importante em originar a precipitação na região equatorial do oceano Atlântico, Pacífico e Índico, bem como as áreas continentais adjacentes. Basta observar ao destaque em vermelho na imagem de satélite acima. Nesta é possível observar uma linha horizontal de nebulosidade margeando a linha do equador.

– Sistemas Frontais (Frentes Frias)

Observa-se nas porções sul e leste do nordeste do Brasil ou apenas a verificação dos resquícios deste sistema entre as latitudes de 5° sul e 18° sul. As Frentes Frias atuam mais frequentemente no inverno, quando consegue atingir as porções equatoriais (chegando a Amazônia caracteriza o fenômeno da Friagem).

Na imagem abaixo é possível perceber que este sistema é mais comum na porção sul do Brasil, por ter ligação com a massa de ar Polar Atlântica.

frente fria

As Ondas de Leste (OL)

Entretanto, sistemas tropicais de escala intermediária (meso-escala) impactam significativamente o litoral nordestino. Dentre eles sinalizamos os Distúrbio Ondulatórios Tropicais (DOTs), mais conhecidos como Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOLs) ou Ondas de Leste (OL). Formam-se no campo de pressão atmosférica na faixa tropical e se desloca de leste para oeste. No caso particular do nordeste brasileiro, origina-se na África e segue até o litoral leste do nordeste.

Apresenta uma extensão de 2.000 a 3.500 Km, estendendo-se de 3 a 5 dias, com um deslocamento médio de 10m/s no sentido oeste. Caso encontre as brisas terrestres, carregadas de umidade próximas a costa, podem ampliar a magnitude e promover tempestades (elevado índice de precipitação) com mais de 50 mm de chuva e ventos superiores a 50 Km/h.

 Chuvas do dia 16 e 17 de maio de 2013

A ocorrência desse evento extremo que fez precipitar aproximadamente 130 mm no Recife, capital de Pernambuco, foi causado pela já comentada Onda de Leste. A imagem realçada do satélite GOES 13 nos permite verificar a dimensão do sistema e a temperatura das nuvens. Onde a nebulosidade apresenta uma variação térmica de -30°C a -70°C revelando uma propagação vertical das nuvens, visto que ao elevar a altitude na troposfera a temperatura diminui. Além de denunciar uma elevada extensão vertical a qual promoveu os raios (trovões e relâmpagos) a partir da configuração de nuvens cumulonimbus.

Imagem de satélite realçada – GOES 13 – 15 TMG – A

Imagem de satélite realçada – GOES 13 – 15 TMG – A

Na imagem é possível observar a dimensão espacial desta Onda de Leste que atingiu desde a porção centro-norte do litoral alagoano, toda faixa litorânea de Pernambuco e na parte sul do litoral da Paraíba.

O fenômeno teve o seu prolongamento no sentido norte, pois formou-se ainda no estado de Alagoas, teve a sua magnitude superior em Pernambuco e se dispersou ao sul da Paraíba.

O ITEP (Instituto Tecnológico de Pernambuco) divulgou o monitoramento pluviométrico do dia 17/05/2013 no estado de Pernambuco. Na imagem abaixo é possível perceber que o evento impactou mais fortemente a região metropolitana.

monitoramento pluviométrico

A média histórica de precipitação do Recife para o mês de maio é de 320 mm. Em apenas 3 horas chuva (9h – 11h) do dia 17 precipitou mais de 100 mm. As chuvas deste dia totalizaram 133,2 mm. Isso corresponde a 41,6% da chuva esperada para do o mês de maio.

Comentários

 Vale salientar que esta ocorrência desencadeou o caos no ambiente urbano, promovendo pontos generalizados de alagamentos e transbordamentos de canais de escoamento pluvial mediante o processo antrópico de impermeabilização do solo (impedimento da infiltração da água da chuva, resultando no aumento do escoamento superficial da água), retirada da vegetação ciliar na margem dos rios (elevando o carrilhamento de sedimentos para o leito do rio – assoreamento), além do depósito de lixos em rios e canais, impedindo o rápido escoamento dessa água.

Contudo, o evento foi intensificado, pois no período da ocorrência a maré estava na sua fase alta (1,8 m) o que corroborou para a retenção da fluidez da água que caia da chuva. Somado a característica da altitude média do Recife (4 metros) o fenômeno foi consideravelmente potencializado negativamente em relação à sociedade.

Prof. Edmário Menezes – Geografia