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01. “Atravessamos um dos momentos mais graves da vida do nosso povo”. (…) é o sangue do povo, sem distinções de sexo ou de idade, de homens, mulheres e crianças, que corre nas ruas de nossas cidades e nos cárceres da reação e, denuncia as intenções sinistras do bando de assassinos, negocistas e traidores que hoje governa o país. É a guerra que nos bate às portas e ameaça a vida de nossos filhos e o futuro da nação. Sentimos em nossa própria carne, através do terror fascista, como avançam os imperialistas norte-americanos no caminho do crime, dos preparativos febris para a guerra, como passam eles à agressão aberta e à intervenção armada contra os povos que lutam pelo progresso e a independência nacional.

“E é por meio do terror fascista, procurando criar um clima de guerra civil, que o governo de traição nacional de Dutra quer levar o país à guerra e fazer de nossa juventude carne de canhão para as aventuras bestiais de Truman.”

PRESTES, Luís Carlos. Manifesto. Agosto de 1950.

 Há cinquenta anos, o Partido Comunista do Brasil (PCB) emitia um documento de caráter radical assinado por seu Secretário Geral. Nele o Partido manifestava toda sua apreensão em relação à situação política internacional (Guerra Fria) e seus reflexos no Brasil. Essas preocupações, segundo o documento, centravam-se, naquele momento:

 a) no início da Guerra da Coréia, no risco de uma conflagração nuclear e na pressão norte-americana pela participação do Brasil no conflito contra a Coréia do Norte Socialista.

b) na defesa da União Soviética, enfraquecida, ao final da Segunda Guerra Mundial, e ameaçada de invasão pelos Estados Unidos da América (Plano Marshall).

c) no processo de descolonização africana a partir da perda de influência dos países imperialistas europeus e do surgimento de movimentos de independência com inspiração socialista.

d) na eclosão da Revolução Cubana e no conflito gerado com os grandes latifundiários norte-americanos prejudicados com a decretação de uma reforma agrária.

e) no início do envolvimento norte-americano no Vietnã e nos riscos de eclosão de uma guerra civil no Brasil após o suicídio de Getúlio Vargas.

02. “Construído de surpresa e em tempo recorde, na noite de 17 para 18 de agosto de 1961, o Muro de Berlim, com 160 km de comprimento e média de 3 m de altura, conheceu ontem, na prática, um fim tão fulminante quanto seu começo”. Pouco depois de o governo da Alemanha Oriental anunciar que decidira abrir todas as suas fronteiras com a Alemanha Ocidental, multidões excitadas já se aglomeravam, em Berlim, nos postos de passagem entre os dois setores da cidade e cruzavam para o outro lado – nem que fosse apenas para fazer um passeio.”

Jornal do Brasil. 10/11/1989.

A existência do chamado Muro de Berlim está vinculada a um fenômeno histórico do século XX, qual seja:

 

a) o conflito gerado pelo poder exercido na Alemanha pelos nazistas – visando o domínio do continente europeu, que ficou conhecido como Segunda Guerra Mundial.

b) a formação de grandes blocos econômicos no mundo contemporâneo e o fim das fronteiras tarifárias, que ficou conhecida como globalização.

c) a divisão do mundo em áreas de influência das grandes potências e o choque político ideológico entre elas, que ficou conhecida como Guerra Fria.

d) a construção de uma barreira contra a invasão cultural norte-americana na Europa, que na Alemanha ficou conhecida como Bauhaus.

e) a luta pelo fim da dominação colonial exercida por países europeus como a Alemanha em outros continentes, que ficou conhecida como descolonização afro-asiática.

03. Durante o período de Guerra Fria, isto é, o período que vai do final da Segunda Guerra Mundial até a desestruturação da URSS, vários foram os conflitos que marcaram as disputas entre o bloco capitalista e o bloco socialista. Como por exemplo, a Guerra da Coréia, o Macarthismo, a Guerra do Vietnã… Todavia alguns fatos especialmente acontecidos no governo de John Kennedy (1961-1963) puseram em xeque a segurança mundial na medida em que houve um perigo iminente de guerra atômica. As pessoas de todo o mundo viveram momentos de incerteza e medo ante a catástrofe que poderia abater-se sobre a humanidade.

 Dentre os fatos que poderiam relacionar-se ao governo Kennedy e que puseram a humanidade em alerta destacamos:

a) o caso do Avião U3 e do casal Ethel e Julius Rosemberg.

b) o caso da Baía dos Porcos e dos mísseis em Cuba.

c) a Conferência de Bandung e a Aliança para o Progresso.

d) o Macarthismo e a ascensão dos comunistas no governo britânico.

e) o golpe militar no Brasil e a Guerra do Vietnã.

04. “O curso das duas décadas que vinculam o ano de 1947 ao de 1968 foi ditado pela supremacia de dois gigantes sobre o mundo. Os Estados Unidos e a União Soviética assenhoraram-se dos espaços e criaram um condomínio de poder que só foi abalado no final da década de 60 e início da de 70. Existiam, no entanto, nuanças no sistema condominial de poder. Da relação “quente” da Guerra Fria — 1947-1955 — à lógica da coexistência pacífica — 1955-1968 —, as duas superpotências migraram da situação de desconfiança mútua para uma modalidade de convivência tolerável.”.

SARAIVA José Flávio S. Relações internacionais contemporâneas (com adaptações).

Com o auxílio do texto acima, julgue os itens que se seguem, verificando a proposição INCORRETA:

 a) O Brasil, na periferia das grandes decisões estratégicas mundiais no tempo da Guerra Fria, manteve uma política de alinhamento automático e incondicional aos Estados Unidos e nunca procurou desenvolver certas margens de autonomia na sua ação externa.

b) A evolução, nas percepções das duas superpotências, de uma situação de quase confronto direto para certos níveis de coexistência derivaram, em boa medida, do medo da capacidade destrutiva que carregavam em suas armas nucleares.

c) A América Latina, a África e a Ásia praticamente não se ressentiram do clima da Guerra Fria uma vez que esta se conteve quase que exclusivamente na política europeia das duas superpotências.

d) Getúlio Vargas, no seu mandato presidencial dos anos 50, defendeu abertamente o controle militar e a segurança nacional do Brasil pelo gigante ocidental.

e) A bipolarização em função dos dois sistemas econômicos, não alterou em nada as relações politicas e econômicas durante e após a Guerra Fria.