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Equipe vai sugerir como mudar o currículo e ampliar número de escolas de tempo integral

 

Um grupo de trabalho formado por secretários estaduais de Educação, representantes do Ministério da Educação e especialistas vai discutir mudanças no ensino médio, etapa em que o desempenho dos alunos brasileiros ficou estagnado no período 2009-2011, segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Durante reunião na manhã desta terça-feira, 21, em Brasília, o ministro Aloizio Mercadante ouviu a opinião dos gestores estaduais sobre a redução do número de disciplinas, expansão das escolas de tempo integral e uso de ferramentas tecnológicas como formas de estimular os estudantes e melhorar a qualidade do ensino médio. 

 

 

Participarão do GT observadores da Academia Brasileira de Ciências e da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). O grupo deve apresentar o resultado das discussões na próxima reunião do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), no dia 18 de outubro, em Santa Catarina.

Na reunião, Mercadante apresentou os dados do Ideb e destacou o desempenho das escolas do ensino médio. Ele informou aos secretários que a Prova Brasil deixará de ser aplicada para este nível de ensino – o Enem passará a ser utilizado como instrumento de avaliação da qualidade do ensino e aprendizado. Os secretários, por sua vez, dividiram experiências desenvolvidas em seus Estados.

 

“O consenso foi para que possamos evoluir no sentido de um ensino médio de tempo integral”, afirma o secretário de Educação de Santa Catarina, Eduardo Deschamps. Quanto à proposta de mudanças no currículo, medidas mais concretas não foram anunciadas. De acordo com o secretário de Educação de Pernambuco, Anderson Gomes, as mudanças nas disciplinas oferecidas no ensino médio ainda não foram decididas. “A adaptação da grade curricular não significa redução de horas-aula, é adaptar o currículo à realidade do aluno do século 21”, diz Gomes.

 

O secretário de Educação de Goiás, Thiago Peixoto, vai na mesma direção. Para ele, a diminuição do número de disciplinas do ensino médio “não é uma mudança simples”. “Ela envolve professores contratados para disciplinas que podem ser reduzidas, qualificação de docentes e demandaria uma ampla discussão no Conselho Nacional de Educação (CNE)”, diz. “Não é algo que você consiga fazer rápido.”

 

Na reunião, Peixoto sugeriu ao ministro a redução do conteúdo trabalhado no ensino médio. “O MEC teria condições de fazer isso definindo um currículo de referência. É algo muito discutido, mas na prática não está pronto”, afirma. “A ideia sofre resistências. Há quem diga, por exemplo, que os professores perderiam autonomia.”

 

A secretária de Educação de Minas, Ana Lúcia Gazzola, diz não acreditar num “currículo mínimo” para todas as redes. “O CNE tem de estabelecer diretrizes gerais. As expectativas de aprendizagem não devem ser transcritas em disciplinas senão enrijece tudo e não vamos ter flexibilidade para trabalhar.”

 

Tecnologia. Mercadante também ouviu dos secretários ideias para o uso de tablets pelos professores das escolas públicas de ensino médio. O ministério comprou 600 mil aparelhos, que estarão conectados às lousas digitais que a pasta já distribuiu. A ideia é permitir que os docentes tenham mais acesso a fontes variadas de informação e a recursos pedagógicos como livros didáticos em PDF, programas de aula, videoaulas, jogos educativos, entre outros.

Fonte: Estadão.