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Olá Feras!!

Este post será um tanto que diferente… falaremos do nome das cores e do arco-íris… Entretanto, continuando com o mesmo rigor científico de divulgar as informações aqui no blog. O texto foi adaptado de duas matérias publicadas na Revista Plastic Dreams #8. Textos originais de Diogo Rodrigues e Thiago Assan Piwowarcczyk.

De onde vem o arco-íris? “Depois da Tempestade vem a bonança?” E, “no final do arco-íris sempre há um pote de ouro?

Um fenômeno da natureza glorioso como o raio do Sol, o arco-íris é um fenômeno que depende do ponto de vista, do ambiente onde ele está e para onde estamos olhando, assim como tudo no mundo das cores.

A luz do sol viaja milhões de quilômetros e atinge a atmosfera da Terra. Parte dessa luz espalha-se pelo céu, resultando no céu azul que não nos deixa ver as estrelas durante o dia. O resto ilumina o dia, num tom amarelado. Mas essa é apenas a parte visível da luz. Assim como nem tudo que reluz é ouro, nem todo amarelo é só amarelo. A luz visível é um pequeno fragmento no meio de todas as rediações no Universo.

Todas são ondas, cada uma com sua frequência, indo de energias pequenas, como ondas de rádio e televisão, até raios-x e outras ondas altamente poderosas. No meio desse “espectro”, existe uma pequena faixa visível aos nossos olhos, chamado de “região do visível”. Indo do vermelho ao violeta, essas são as cores que a evolução escolheu para os humanos serem capazes de enxergar. Ressaltando que possuímos células em nossos olhos capazes de captar três tipos de cores apenas: verde, vermelho e azul (células do tipo ‘cone’). No entanto, outas espécies são capazes de de ver radiação na região do infravermelho e do ultravioleta. O infravermelho é a luz que emana de um corpo quente, de energia menor que a luz visível. Já a ultravioleta é mais energética que a luz visível.

Cores se comportam de maneira diferente quando falamos de luz ou de pigmentos e tintas. As cores que vemos da luz, vemos diretamente (a luz do sol, da televisão, uma lâmpada, etc.), mas as cores de pigmentos se comportam de maneira diferente.

Nós vemos de fato a cor que um objeto “não é”. Uma luz branca contém todas  as cores possíveis, e quando ela rebate em uma superfície colorida e chega em nossos olhos, o que vemos é a cor que não foi absorvida pelo objeto. É por isso que você não consegue usar aquela roupa preta no verão, uma vez que o sol a esquenta muito mais. O preto não tem cor, pois ele absorve toda a radiação oriunda do sol, ou seja, todas ‘as cores’ presentes na luz branca.  Isso é chamado de “Subtração das cores”. Em contraste, temos que a luz funciona como “soma das cores”, como a televisão, que usa o vermelho, verde e azul (sistema RGB) para criar qualquer cor, inclusive o branco.

Estudamos este fenômeno em química, por exemplo, quando se analisa o espectro da luz branca no modelo atômico de Bohr. Isso acontece porque a luz tem sua velocidade reduzida quando dentro do cristal (prisma), e cada cor ‘freia’ numa velocidade diferente e muda seu ângulo de acordo. O efeito se dá pela luz separada do outro lado, sempre na mesma ordem, no mesmo ângulo.

No caso do arco-íris, não temos um prisma. Mas temos as gotículas de chuva que em conjunto, acaba se tornando um ‘prisma’ natural.

Para visualizar um arco-íris é preciso encontrar um local propício: um céu úmido, com gotículas de água ainda presentes no ar e condições atmosféricas que nao deixem essa névoa dispersar. Logo, é necessário que não haja muito vento. A temperatura deve ser amena, fria o suficiente para não deixar as gotículas precipitarem. E, por fim, é importante o angulo do sol em relação a você e a névoa.

Por que o azul é azul? E o laranja? E o "escarlate"? 
Vamos saber um pouco mais sobre o nome das cores.

  • Azul – É uma cor de nome viajante. Chamava-se “lazward” em persa, passou para o árabe com a adição do artigo ‘al’, virou ‘azzurum’ no latim medieval e tornou-se ‘azul’ no português.
  • Bordô – Chamada assim por assemelhar-se à cor típica do vinho produzido na região de Bordeaux, na França. Esse processo de usar uma cor para um objeto chama-se ‘derivação por metonímia”.
  • Carmesim – No árabe, chamava-se ‘qirmizi’, que por sua vez deriva do também árabe ‘qirmiz’, ‘encarnado’. Daí a semelhança com a cor ‘carmim’, que tem a mesma origem.
  • Dourado – É o nome dado àquilo que tem a cor do ouro, que em latim chamava-se “aurum”. Assim como “prateado” vem de “prata”  “bronzeado” vem de “bronze”
  • Escarlate – A história desta é longa. Em latim tardio, ‘sigillum’ era uma imagem pequena. ‘Sigillatus’, algo decorado com imagenzinhas. Passe esse termo pelo grego medieval e pelo árabe e chegue ao francês antigo ‘escarlate’, palavra usada na época para qualquer tecido colorido.
  • Fúcsia – É a cor de uma flor descoberta pelo botânico sueco Leonhard Fuchs (1501-1566), de cujo sobrenome vem o termo. Daí a variante ‘fúchsia’, que mantém a grafia original, com agá.
  • Grená – É o aportuguesamento do francês “grenat”, que designa aquilo que tenha cor da granada, uma pedra fina de cor vermelho-escura.
  • Índigo – Em grego, era ‘indikos’, ou ‘indiano’, referindo-se à tintura azul-escura retirada da planta de mesmo nome. Passou ao latim, e em seguida ao português. O elemento químico, Índio, dela este nome devido o procedente da linha de cor índico de seu especto atômico).
  • Jambo – Usado hoje para referir-se a peles bem morenas, o nome vem do sânscrito “jambu” e foi importado via hindi. É o nome de uma planta típica do sudeste asiático, de nome científico Syzygium jambos.
  • Laranja – É o nome vindo lá do Oriente. Em sânscrito, era “naranga”. Virou ‘narag’, em persa. Em árabe, que não tem som de “g”, tornou-se ‘naranj’.
  • Marrom – No francês é o nome dado a castanha. O adjetivo, dessa maneira, é dado àquilo que tenha essa cor acastanhada. A origem é, provalvemente, de um termo anterior à colonização romana na região.
  • Naval – Do latim, ‘navalis’, ou ‘de navio, marítimo’. Tornou-se o nome dado ao tom escuro do azul por conta de um uniforme da Marinha Real Britânica adotado no século 18.
  • Ocre – Os gregos chamavam essa cor de ‘okhra’, nome com que passou ao latim, e então, às línguas latinas sem modificar-se muito. No francês antigo já era “ocre”.
  • Púrpura – Na Grécia antiga, ‘porphura’ era o nome do molusco que produzia a tinta avermelhada com que eram tingidos os tecidos.
  • Rútilo – O nome vem do mineral rutílio, um óxido de titânio usado como fonte para corantes. Quem o batizou foi o mineralogista alemão Abraham Werner (1750-1817), em 1803.
  • Salmão – Vem do latim ‘salmo’. Apesar de a palavra ter sido escrita com ‘u’ em diversos momentos (francês anglonormando ‘saumoun’, inglês médio ‘samoun’), a grafia eventualmente voltou ao original com ‘l’.
  • Turquesa – É uma palavra bem francesa. Na língua antiga. era ‘turkeise’, vindo de ‘turqueis’, referindo-se a uma pedra turca.
  • Urucum – É a mais brasileira das cores. Vem do tupi ‘uruku’, nome de uma árvore nativa das regiões tropicais das Américas. É dela que vem o corante avermelhado para pintar a pele.
  • Vermelho – Não é coincidência que a palavra se pareça com ‘verme’. A origem é justamente esta: vem do latim “vermículus’, ou seja, um pequeno verme.

Monte seu arco-íris!! E bons estudos!

Profª Flávia Vasconcelos.

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