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Vestíbulo” vem do latim vestibulum, que significa “entrada”. Por isso, os exames que precediam o ingresso ao curso superior foram chamadas de “vestibulares”. Inicialmente, a palavra era usada como adjetivo, qualificando o substantivo “exames”. Depois, o tempo se encarregou de simplificar a expressão, gerando o substantivo vestibular, para designar especificamente essas provas.

O uso oficial dessa palavra foi instituído em 1915, pelo decreto 11.530, que tinha como finalidade restabelecer a responsabilidade do Estado e do Governo Federal como principais gestores e reguladores dos projetos educacionais no Brasil.

Por “restabelecer” entende-se que algo havia sido estabelecido, deixado de vigorar e voltava a ser vigente de novo. Portanto, percebe-se que as normas que regem a educação no país não foram sempre as mesmas: elas têm uma história, assim como o próprio vestibular também tem a sua.

Cursos superiores

Os cursos superiores no Brasil foram criados por Dom Pedro 1º, em 11 de agosto de 1827, com uma lei que determinava o estabelecimento de duas escolas de direito, uma em Olinda (PE) e outra em São Paulo (SP). Com o passar dos anos, outras faculdades foram aparecendo. O ingresso a elas era aberto aos alunos que freqüentavam os colégios mais conceituados da época.

Em 1911, com o aumento da procura pelos cursos superiores, tornou-se obrigatório um exame de seleção, por meio de uma prova escrita e outra oral. Evidentemente, à medida que o número de candidatos crescia, a prova oral foi se tornando inviável.

O mesmo aconteceria com as provas escritas algumas décadas depois, nos anos 1960. A massificação do ensino tornou necessário o uso do computador para auferir o desempenho dos vestibulandos nos exames e, assim, apareceram os testes de múltipla escolha. Na verdade, foi nesse momento que os vestibulares foram ganhando formato mais semelhante ao que adquiriram nos dias de hoje.

Testes e provas dissertativas

As disciplinas eram avaliadas por meio de testes e, ao lado deles, exigia-se uma redação que provasse a capacidade de o vestibulando se expressar por escrito. No entanto, os testes de múltipla escolha apresentam limitações. Com um pouco de sorte, um aluno despreparado podia obter neles um bom desempenho.

Além disso, o direcionamento dos cursos preparatórios estava criando uma geração de estudantes que só pensava em termos de fazer um X sobre uma das letras de “a” a “e”. Por isso, em 1976, a Universidade de São Paulo – a mais antiga e uma das mais respeitadas no país – criou em exame em duas fases: a primeira, eliminatória, formada por testes com alternativas, e a segunda, escrita e dissertativa, além da prova de redação.

A preparação para o vestibular e a realização do exame costumam ter uma grande carga emocional para aqueles que estão passando por essa etapa da vida escolar. Não é para menos: o vestibular tem um significado maior do que a simples avaliação de conhecimentos. Ele implica a escolha de uma carreira profissional e, nesse sentido, coloca em jogo a vida futura de quem vai fazê-lo.

Na data em que se homenageia o vestibulando, convém lembrar que esse é um momento muito importante, sim, mas que  não é único. Os candidatos não aprovados sempre têm novas chances. Vale a pena ter isso em mente, assim como é necessário lembrar que o nervosismo e as perturbações emocionais podem prejudicar demais o desempenho do candidato nos exames.

É preciso vencê-los e aprender a controlar-se. Por outro lado, isso é fácil de falar, mas, na prática, acaba sendo bem mais difícil do que a mais difícil das questões de química ou do que o tema de redação mais complicado.

A seleção em outros países

O vestibular, da forma como conhecemos, não é a única   maneira de selecionar candidatos para as vagas nas   universidades. Infelizmente, o número de jovens que deseja ingressar na faculdade é sempre maior do que o   número de cadeiras oferecidas. O ideal seria que,   terminado o Ensino Médio, as pessoas ingressassem direto no ensino universitário, com a mesma tranqüilidade com que passam do Ensino Fundamental para o Médio.   Mas como isso não é possível, critérios de seleção precisam ser utilizados. Veja como são eles.   Em tempo: o Brasil tem um dos sistemas de seleção mais   confiáveis entre os que são adotados no mundo todo.

Seleção dentro da faculdade – usado na Bélgica e na   Argentina, o estudante entra para o curso de sua escolha e,   só depois, conforme o desempenho que apresentar nos dois   primeiros anos, é ou não eliminado, com base nas notas   obtidas.

Seleção antes de entrar – esse tipo de seleção antes do ingresso permite vários procedimentos, juntos ou isolados,   como entrevistas de perfil, sorteio ou até fila de espera,   além dos exames propriamente ditos. Por meio da avaliação de provas – que é o adotado no Brasil – costuma ser o   preferido mundialmente, sendo utilizado também nos Estados   Unidos, China, Japão, Israel, Austrália e em alguns cursos na Itália e na França.

Avaliação de personalidade – neste caso, o perfil do   estudante é o que importa na hora da seleção. O critério   adotado implica cartas de recomendação, entrevistas,   testemunhos ou questionários biográficos. Praticado em   países de língua inglesa, como reforço às notas   (Estados Unidos, Inglaterra, Austrália) é usado   parcialmente na França (Grandes Écoles), na Alemanha –   para medicina -, na Espanha e no Japão.

Tempo de espera – o candidato fica na fila de espera   do curso que deseja fazer. Método polêmico utilizado na   Alemanha.

Sorteio de vagas – aplicado em algumas escolas na   Holanda, não vem a ser, contudo, um simples sorteio. Na   Alemanha, já foi usado para o curso de medicina, através   de cupons que os candidatos foram acumulando de acordo   com as notas no 2o grau. Trata-se de um processo raro e   extremamente impopular.

Fontes:

http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/vestibulando/selecao.html

http://educacao.uol.com.br/datas-comemorativas/vestibulando.jhtm